Animais Autóctones

Animais Autóctones

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Resultados preliminares - Biodiversidade de Portugal

O Naturdata é a primeira e única base de dados sobre a biodiversidade de Portugal que cobre todo o território e todos os grupos de organismos vivos.
Mais do que uma base de dados, é uma enciclopédia.
Projecto sem fins lucrativos, nascido e produzido pela sociedade civil, junta especialistas, colaboradores e curiosos com um interesse comum: o nosso património natural.
O primeiro ano do projecto foi usado para criar a estrutura e as bases do funcionamento.
O segundo ano, o ano de 2010, também ano internacional da biodiversidade, foi por nós considerado como o "ano zero" e é o resultado desse início dos trabalhos que pretendemos registar como um marco para o futuro deste projecto em clara expansão.
Veja aqui o artigo neste habitat!

Visite o Naturdata e colabore. O Naturdata é de todos para todos.
Agradecemos toda a divulgação que possa dispensar a este projecto.

Cumprimentos,
Ricardo Ramos da Silva
Pedro Cardoso
coordenadores-gerais
Projecto Naturdata - Biodiversidade online

Espécie Animal Traficada da Semana

Peixe Palhaço

Nome científico: Amphiprion ocellaris



O peixe palhaço é uma espécie que sempre se destacou pela sua incrível coloração. Ganhou fama quando a disney criou um filme chamado: "À procura de Nemo" em que conta as aventuras de um pequeno peixe palhaço com uma deficiência. Desde então, o peixe palhaço (ou peixe-das-anémona) tem sido bastante cobiçado por pessoas que desejam possuir o animal que se tornou tão famoso em tão pouco tempo. A grande procura do animal incentivou a uma maior comercialização e portanto, a um maior tráfico. É um peixe caro e de difícil manutenção por ser de água salgada.





 

O peixe palhaço é proveniente do Pacífico. Deve o seu nome à coloração irregular.

O seu outro nome, peixe-das-anémonas, deve-se ao facto de este animal estabelecer uma relação de simbiose com as anémonas e corais. Estas oferecem abrigo e protecção aos peixes, que por sua vez fornecem alimentos  restos da sua alimentação que serve de alimento para as anémonas. São um dos poucos peixes que estabelece uma relação directa com as anémonas já que estas possuem tentáculos urticantes para própria protecção, contudo, o peixe palhaço possuí uma camada de muco que faz dele imune.






O peixe palhaço não é um peixe solitário. Bem pelo contrário, tem um processo bastante curioso de viver. Cada família é composta por uma fêmea, um macho menor (que é o reprodutivo), e outros machos ainda menores (estes machos não são reprodutivos). Em caso da fêmea morrer ocorre um processo denominado por "protandria" em que o maior dos machos muda de sexo e torna-se fêmea. Um dos restantes machos não reprodutivos vai passar a macho reprodutivo. é um modo de assegurar a manutenção da população de peixes palhaço.




É importante reter bem a ideia que o peixe palhaço tem necessidades especiais quanto ao habitat e possuí-lo num aquário não é a mesma coisa que ter um peixe dourado.
É importante recriar ao máximo o seu meio ambiente mas sobretudo ter na consciência que a melhor maneira de gostar de um animal é deixa-lo solto, no seu ecossistema.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Espécie Animal Invasora da Semana

ACHIGÃ
Origem
O achigã é originário do sul do Canadá e norte dos Estados Unidos da América e foi introduzido na Europa no final do século XIX. 
Distribuíção Geográfica 
O achigã foi introduzido pela primeira vez em Portugal em 1898, na Lagoa das Sete Cidades, S. Miguel, nos Açores. No continente, no entanto, apenas em 16 de Fevereiro de 1952, através de um pequeno número de alevins (150), provenientes de uma piscicultura francesa, a Piscicultura de Clouzioux. O Achigã teve uma excelente adaptação e espalhou-se rapidamente por todas as bacias hidrográficas, particularmente a sul do Rio Tejo, sendo hoje  considerado um dos predadores que mais tem contribuído para uma clara diminuição de outras pequenas espécies, nomeadamente nas albufeiras.
Caracteristícas 
Possui um corpo altivo e alongado, uma cabeça grande e de boca larga e com numerosos e minúsculos dentes, justificadamente agressiva, possui um dorso e cabeça de coloração verde escuro ou oliváceo, com flancos dourados, ventre branco, a linha lateral tem uma fiada de manchas castanhas ou negras, bem visível nos adultos e o opérculo tem duas barras escuras e uma mancha preta.  Tem uma barbatana dorsal dividida em duas partes, tendo a primeira raios espinhosos, tendo ainda na boca uma maxila inferior proeminente e mais saliente do que a superior.
Habitat 
Caracteriza-se como um peixe de águas temperadas ou pouco frias, habitando em locais com vegetação aquática nas albufeiras e lagoas, aparecendo também em alguns troços médios e inferiores dos rios, e habitualmente vive solitário ou em pequenos grupos.
É uma espécie de superfície não excedendo normalmente os 7 metros de profundidade e que suporta bem as águas salobras.
 Pode medir até 80 cms. e possuir um peso máximo de cerca de 10 kgs., sendo estas medidas mais reduzidas nos exemplares europeus.
Alimentação
O Achigã adulto é um predador muito voraz, alimentando-se preferencialmente de outros peixes e crustáceos e também de insectos aquáticos.
 Os mais novos têm a sua alimentação baseada em insectos, crustáceos e moluscos enquanto que os alevins se alimentam de plancton.
Reprodução 
Durante o período de reprodução, de Abril a Junho, o macho tem um comportamento territorial, protegendo o ninho até os novos terem 3 a 4 semanas de idade. Após este período, permanece em cardumes pouco numerosos durante mais 2 ou 3 meses.
 A desova ocorre quando a temperatura da água atinge os 16 a 18ºC, cada fêmea deposita entre 4.000 e 10.000 ovos em locais de fraca corrente e pouca profundidade, em ninhos feitos pelos machos sobre camadas de pedras, cascalho, areia ou entre raízes aquáticas, ficando os ovos aderentes ao substracto do ninho, o qual é bem guardado e onde procura agitar-se constantemente para melhor oxigenação dos ovos. Após a postura, a companheira é expulsa do ninho, chegando mesmo a ser caçada, podendo ainda o macho atrair outra fêmea.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Espécie Animal Traficada da Semana

Tucano-Açú

(Ramphastos toco)

Tucano toco onde se observa que o bico é
desproporcional ao resto do corpo.



Nome científico: Ramphastos toco

Ordem: Piciformes

Família: Ramphastidae


O tucano-açú é, também, designado por tucano-toco, tucanaçú ou, simplesmente, por tucano. Os indivíduos desta espécie podem ter cerca de 66 cm de comprimento (incluindo o bico que chega a 19 cm) e pesam pouco mais de 0,5 Kg; são os maiores representantes da família Ramphastidae.

As características que mais se destacam nesta espécie são o tamanho do bico ser desproporcional e a coloração exagerada. O bico, apesar do tamanho e da aparência pesada, é leve, visto não ser uma estrutura óssea maciça.

Apesar de oco é muito resistente e útil para descascar frutos e intimidar outros animais. Relativamente às patas, estas possuem dois dedos dianteiros e dois traseiros, que proporcionam uma excepcional sustentação nos galhos das árvores.

Geralmente, os habitats mais comuns são as matas de galeria e as capoeiras. O Tucano-Açu é o único da família Ramphastidae que não vive exclusivamente em florestas. A distribuição geográfica desta espécie corresponde à zona da Amazónia até ao Paraguai, à Bolívia e à Argentina, passando por todo o território brasileiro. A área de distribuição aumentou nos últimos anos, em função da desflorestação que reduziu o habitat original.

            Quanto à alimentação, esta é constituída, basicamente, por insectos, ovos e filhotes de outros pássaros, pequenos lagartos e muitas frutas. O Tucano-Açu é uma ave de hábitos diurnos.

Os casais de tucanos revezam-se para chocar os ovos,
na época de reprodução.
A sua reprodução ocorre a partir do final da Primavera, quando a fêmea põe de 2 a 4 ovos em ninhos no alto das árvores. O casal reveza-se ao chocar os ovos e os filhotes nascem entre 16 a 20 dias depois. Após o nascimento, o bico é muito grande, contrastando com o corpo pequeno.

Os olhos só ficam abertos ao fim de três semanas. Os pais alimentam os filhotes até chegar o momento da sua saída do ninho, após cerca de seis semanas. O bico só terá a cor definitiva alguns meses depois. O tucano pode viver até 20 anos.

A espécie Ramphastos toco ainda não está ameaçada de extinção, mas a sua captura visando o tráfico para outros países e a venda clandestina tem vindo a reduzir a sua população, pondo em risco a diversidade genética.

A maioria dos animais capturados morre durante o transporte. 

sábado, 22 de janeiro de 2011

Espécie Animal Autóctone da Semana

Osga-Turca
Hemidactylus turcicus

Este réptil tem uma distribuição geográfica que inclui toda a região costeira do Mediterrâneo e ainda na América Central, onde foi introduzida. Em Portugal pode ser encontrada no Algarve, Baixo Alentejo e ainda na zona de Évora, onde se conhecem pequenas populações isoladas.

Pertence à família Gekkonidae, que é conhecidas pelas extraordinárias capacidades trepadores graças às estruturas que possui nas patas, milhares de pêlos microscópicos que lhe permitem agarrar-se não só a folhas, pedras e outros materiais naturais, mas também a uma grande variedade de materiais sintéticos. Para retirar uma osga de uma superfície, mesmo estando esta de cabeça para baixo, seria necessária uma força superior a 5kg, o que é impressionante para um animal cujo comprimento varia entre os 10 e os 12cm.

A cabeça da osga-turca é estreita e curta, de forma triangular, possuem uma cauda mais ou menos cilindrica com bandas alternadas claras e escuras, mais visíveis em indivíduos jovens, se ameaçada a orga-turca pode libertar a cauda para entreter o predador enquanto foge. No dorso tem tubérculos que lhe dão uma aparência rugosa e que contrastam com a cor do fundo, muito claro. O ventre é composto por escamas brancas, pequenas e arredondadas. As patas são robustas com as extermidades dos dedos dilatadas e unhas fortes e curvas.

Este réptil pode estar activo o ano todo, excepto se o Inverno foi rigoroso, tem hábitos nocturnos e crepusculares, mas pode estar activa durante dias amenos de Inverno.

São atraídas pelos insectos que voam ao redor das lâmpadas eléctricas, no que toca à alimentação não são exigentes.

Reproduzem-se desde a primavera até ao Verão, altura em que os machos desenvolvem um acentuado comportamento territorial, marcado por vocalizações para establecerem fronteiras, hierarquias e para mostrarem atracção sexual. A fêmea pode fazer até três posturas anuais, com um a dois ovos que esconde debaixo de pedras, dentro de troncos ou mesmo enterrados. A incubação depende da temperatura ambiente e pode demorar entre 40 dias e 3 meses. Os juvenis alcançam a maturidade sexual aos seis meses, e podem viver até 7 anos.

Os principais predadores da osga-turca são aves de rapina, doninhas, ginetas, gatos domésticos, cobras e ouriços-cacheiros.

O habitat deste espécie é normalmente pedregoso.


Espécie Animal Traficada da Semana

Iguana (Iguana iguana)

As iguanas são diurnos, arborícolas, e são frequentemente encontradas nas proximidades de água. Escaladoras ágeis, podem cair até 15 metros ficando ilesas.
Iguana iguana possui uma fila de espinhos ao longo de suas costas e ao longo da sua cauda, que ajuda a protegê-los dos predadores. A cauda, pode ser usada para lançar ataques dolorosos e como muitos outros lagartos, quando presas pela cauda, a iguana pode faze-la a quebrar, por isso pode escapar e, eventualmente, gerar um novo. Além disso, as iguanas têm uma barbela bem desenvolvida que ajuda a regular a temperatura corporal. Este papo é usado em namoros e exibições territoriais.
As iguanas verdes têm uma excelente visão, permitindo-lhes detectar as formas e movimentos a longas distâncias. No entanto têm baixa visão em condições de pouca luz. Têm um orgão fotosensorial branco no topo da sua cabeça chamado olho parietal. Este "olho" não funciona da mesma forma que um olho normal, pois possui apenas uma retina rudimentare não pode formar imagens. É, no entanto, sensível às mudanças na luz e pode detectar movimento. Isso ajuda a iguana quando está a ser perseguida por predadores de cima. Possui dentes mmuito afiados que sao capazes de triturar folhas e até mesmo a pele humana. Estes dentes são em forma de folha, largos e achatados, com serrilhas na borda. Os dentes esão situados nos lados internos da mandibula.

As iguanas são essencialmente herbivoras, alimentando-se de folhas, flores, frutas e de mais de 100 espécies diferentes de plantas.

Quando ameaçada por um predador, as iguanas tentam fugir, e se estiverem perto de um corpo de água, mergulham e nadam para longe. São caçadas por gaviões e falcões.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cidadãos criam espaço para agricultura não convencional no centro da cidade

Por Mariana Correia Pinto

Movimento pretende aproveitar terrenos abandonados para fazer agricultura sem recurso a químicos. Qualquer pessoa pode cultivar um lote no centro do Porto. Sem qualquer custo
Encontrar terrenos abandonados nos quais se possam desenvolver projectos de agricultura sem recurso a produtos químicos. Numa frase, talvez seja esta a melhor forma de definir o projecto Quinta Musas da Fontinha, que arrancou sábado e que juntou cerca de 40 pessoas só no primeiro dia.
A ideia de Francisco Flórido, membro do movimento Terra Solta e mentor do projecto, é simples: encontrar terrenos para distribuir lotes de terra agricultável no centro do Porto. Tudo sem submissão a qualquer tipo de "lógica economicista", nota Francisco Flórido, um engenheiro agrónomo para quem a grande vantagem deste projecto é provar que o "espírito cooperativo entre cidadãos pode funcionar".
Na Rua do Bonjardim, no Porto, foram já distribuídos os primeiros 11 lotes (que têm entre 25 e 75 metros quadrados). Os terrenos são geralmente privados, mas estão abandonados ou sem qualquer utilidade. "O que propomos ao proprietário é uma espécie de contrato de comodato", explica o engenheiro agrónomo. "As pessoas cedem-nos o terreno e, em troca, comprometemo-nos a mantê-lo limpo e produtivo." A única obrigação assumida por quem cultivar o lote é utilizar técnicas que respeitem a agicultura biológica, biodinâmica ou permacultura.
A ideia parece ter pegado: no sábado, entre associações ambientais, sociais e recreativas e participantes a título individual (apareceram casais desde os 30 aos 70 anos), passaram cerca de 40 pessoas pela Associação Musas da Fontinha, que cedeu o principal terreno para o projecto (com 400 metros quadrados). Nem todas estavam interessadas em adquirir lotes e esse foi um dos pontos que mais impressionou Francisco Flórido: "Houve gente que apareceu só para ajudar." E ajudar significou sobretudo meter mãos à obra e limpar terreno - a primeira das etapas do processo.
Cada um levava o que tinha - moto-serra, luvas, sementes - e todos iam participando. "Criámos uma comunidade em autogestão", orgulhou-se o mentor do projecto.
As linhas de acção e as regras não estão completamente definidas, mas há muitas ideias no ar: criar espaços para a preservação de fauna e flora natural, lagos, um forno de adobe (barro), limpar o poço existente no terreno, integrar animais (abelhas incluídas) no espaço para melhorar o ecossistema, criar periodicamente feiras para venda de alguns produtos, são algumas delas. E ainda organizar workshops sobre agricultura sustentável do ponto de vista ambiental.
A entrada para o terreno faz-se pelo n.º 998 da Rua do Bonjardim, a sede da Musas. É também lá - e através do e-mail da associação Terra Solta - que os interessados podem obter mais informações sobre o projecto.
A ideia agora é ir desbravando terreno adjacente: um dos vizinhos do Musas já cedeu a sua propriedade (90 metros quadrados, destinados à Associação Vida Alternativa) e acredita-se que outros poderão seguir o mesmo caminho. "O espaço onde estamos agora já esteve abandonado e, depois de muito trabalho, conseguimos fazer agricultura aqui. É isso que pretendemos que aconteça aos outros terrenos", explicou Hugo Sousa, da Associação Musas da Fontinha.
Há todo um processo de "transferência de saberes" que interessa particularmente a Hugo Sousa. E as diferentes associações que foram comparecendo ao longo de sábado sugerem que essa tarefa não será complexa. A Associação Colectivo Germinal, por exemplo, que trabalha com crianças desfavorecidas, já "arrendou" um espaço com objectivo bem definido: fazer hortas pedagógicas para os mais novos. É um "ponto de partida", diz Francisco Flórido, para quem está demontrado que as hortas urbanas também suscitam interesse no Porto, apesar de esta cidade ainda mal ter acordado para a tendência.

In Público

domingo, 16 de janeiro de 2011

Os fiéis guardadores de rebanhos - Notícias Magazine

por Ana Fonseca. Fotografia J. P. Ferreira



Os cães de gado oferecidos pelo grupo lobo aos pastores têm diminuído os prejuízos provocados pelos ataques dos lobos aos rebanhos. O projecto trouxe mais paz às pastagens e tem alterado o comportamento do homem face ao predador.
O sol já vai alto lá para as bandas do nariz do mundo, Minho, quando o pastor se aproxima da corte onde o rebanho de cabras pernoita. Lá dentro é grande a agitação, os animais começam a balir e os seus dois fiéis companheiros a ladrar. Mas, ao contrário do que imagina quem não está habituado a estes episódios do mundo rural, logo que Luís Calçada abre as cancelas de madeira, as cabras saem de forma ordenada, dirigindo-se em fila para o local onde irão passar o dia, a pastar.
Indiferentes aos forasteiros, dois imponentes cães castro-laboreiro assumem as suas posições estratégicas cumprindo assim a missão para a qual foram criados. Atentos a qualquer movimento, vulto ou cheiro, o Pastor e o Tigre não hesitarão em tomar uma atitude em defesa da família que desde cedo os abraçou. O Pastor tinha cerca de 3 meses de idade quando foi acolhido pelo rebanho e o tigre já lá nasceu. Ambos são os quatro olhos vigilantes e os dois corpos possantes que fazem frente a qualquer foco de ameaça, mais precisamente aos lobos que por ali procuram alimento e que, apenas num ano, mataram trinta cabras a luís calçada.
«Estes cães são um luxo», diz, ao olhar com orgulho para os seus dois incansáveis ajudantes. «Desde que os tenho só perdi duas cabras», acrescenta o pastor da aldeia do formigueiro, Celorico de Basto, e um dos contemplados pelo projecto desenvolvido pelo grupo lobo, associação não-governamental e sem fins lucrativos, criada em 1985 para trabalhar a favor da conservação e defesa do lobo-ibérico.
A ideia foi a de recuperar práticas tradicionais, entregando aos pastores cães especialmente vocacionados para a guarda de gado, evitando assim os ataques dos lobos e, simultaneamente, atenuando a agressividade dos pastores em relação a esses predadores, explica Sílvia Ribeiro, bióloga, com mestrado em comportamento animal e membro do grupo lobo.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Espécie Animal Invasora da Semana

Tritão-de-Crista-Italiano
Triturus carnifex



As fêmeas desta espécie são maiores do que os machos (180mm e 150mm de comprimento total respectivamente), e podem apresentam uma linha amarela ao longo da coluna vertebral. Ambos os géneros têm o ventre amarelo ou amarelo-alaranjado com pintas negras. Durante a época de acasalamento os machos desenvolvem uma crista dorsal que dá nome à espécie.

Triturus carnifex é originára da Itália, apesar de também poder ser encontrada no Sul de França e Balcãs Ocidentais. Pensa-se que foi introduzida no Reino Unido e em Portugal através do tráfico de animais, sendo considerada uma espécie invasora nestes países.

Habita uma grande variedade de habitats como florestas de faias, regiões secas do Mediterrâneo em altitudes de até 2140 metros. Prefere águas calmas ou de fluxo lento que são mais indicadas para a sua reprodução, mas pode recorrer a piscinas, lagos de jardim e até arrozais o que faz com que prolifere em ambiente antrópico.

O tritão-de-crista-italiano é principalmente nocturno e, como todos dos anfíbios de cauda, parte aquático, gastando em média 4 meses por ano em água, principalmente na Primavera. É nesta altura que se reproduzem: o macho nada em frente à fêmea, arqueando o dorso, se a fêmea tocar a sua cauda com a cabeça, o macho liberta o espermetóforo, cada fêmea coloca até 250 ovos, um por um. Esta espécie possui uma mutação no cromossoma 1 que provoca a mortalidade de 50% dos indivíduos durante o deselvolvimento do ovo.

Os adultos alimentam-se, durante a fase terrestre, de invertebrados terrestres como minhocas, insectos e molusculos, Na fase aquática podem comer larvas de anfíbios, incluindo da sua própria espécie e invertebrados aquáticos. As larvas alimentam-se de insectos aquáticos. Os tritões adultos produzem, como todos os membros da família Salamandridae, secreções tóxicas pela pele, no entanto têm uma grande variedade de predadores imunes ao veneno como diversas aves aquáticas, cobras e peixes. Podem viver até 10 anos, atingindo a maturidade sexual entre os 3 e os 4 anos.

Podem hibernar em terra ou na água, tornando-se mais escuros na fase terrestre.


Larva de tritão-de-crista-italiano, notam-se bem as brânquias externas.


Espécie Animal Autóctone da Semana

Peixe-Rei

(Atherina presbyter)



Indivíduos de um cardume de Atherina presbyter.
As fêmeas desta espécie podem desovar
cerca de 16.000 óvulos.
O peixe-rei é um representante da família Atherinopsidae e, em algumas regiões, é vulgarmente designado por "bicudo", "pica", "piarda", "guelro" ou "ligueirão".

Os aterinídeos são pequenos peixes marinhos da mesma ordem das tainhas, com poucas espécies de água doce. Apresentam uma faixa prateada de lado, às vezes sobreposta a um tegumento preto. A espécie de peixe-rei de água doce mais comum é a Odonthestes bonariensis.

Estes, são peixes de pequeno porte, crescendo no máximo entre 32 a 35 centímetros de comprimento, quando adultos. Normalmente, medem apenas 10 centímetros.

O peixe-rei possui corpo comprido e alongado, fusiforme, estreito, comprimido e subcilíndrico, o que faz lembrar uma quilha.

O corpo é revestido por escamas muito finas, o que o torna um pouco transparente, principalmente na região abdominal.

A coloração apresenta tonalidades azuladas, amarelas e esverdeadas, tendo o dorso castanho-azulado com uma larga faixa e uma margem azul escura ao longo do corpo, que se inicia logo atrás das nadadeiras peitorais e se estende até à cauda e ao ventre prateado, podendo considerar-se que o peixe-rei é muito vistoso.

Os olhos são medianos e a boca é pequena, possuindo mandíbula superior não expansível, com várias séries de diminutos dentes cónicos.

A cabeça é recta com o perfil alto, afilada, côncava dorsalmente e com focinho pontudo.

As nadadeiras peitorais são longas, falcadas (em forma de foice) e oblíquas, medindo uma vez e meia o tamanho da cabeça. A nadadeira anal não é falcada, tem um espinho e é muito elevada. A caudal é furcada e apresenta, aproximadamente, vinte raios além do lóbulo inferior, um pouco maior que o superior. A nadadeira dorsal apresenta seis espinhos além de possuir duas nadadeiras dorsais bem separadas.

Alimenta-se principalmente de plâncton em suspensão na água, além de moluscos, microcrustáceos, insectos, pequenos peixes e algas.

Quanto à reprodução, esta inicia-se em Junho, com maior incidência em Outubro e estende-se até ao mês de Janeiro. As fêmeas podem desovar cerca de 16.000 óvulos. Dependendo da temperatura o desenvolvimento embrionário pode demorar de 10 a 14 dias.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Espécie Animal Autóctone da Semana

Leirão ou Rato dos Pomares
Eliomys quercinus




O Leirão é um mamífero roedor distribuído um pouco por toda a Europa Ocidental e também do leste.

Habita zonas de vegetação escassa e zonas de floresta com pinhais, montados, carvalhais e matagais mediterrânicos. Como qualquer roedor que se prese, o Leirão cohabita com o ser humano nas habitações e destrói pomares, hortas, jardins, etc... 
Quanto ao comprimento o Leirão varia entre os 10 e os 15cm, mais a cauda que possuí geralmente cerca de 10cm. O peso encontra-se entre os  60 e 140g.

Para distinguir o Leirão do Rato Comum usa-se as características da pelagem que é maioritariamente castanha e cinzenta, por baixo branca e à volta do olho é preto. 


É um animal nocturno, dormindo de dia em pequenos ninhos das árvores. Durante a sua actividade nocturna eles procuram alimento como: gafanhotos, besouros, caracóis, pequenos ratos, frutas e aranhas, tendo portanto uma alimentação omnívoro.

O período de acasalamento é entre Abril a Junho. Para a fêmea mostrar que está pronta a acasalar, reproduz um grito eleado para captar a atenção do macho. O período de gestação é de 23 dias, nascendo em ninhadas de 3 a 7 filhotes que nascem sem pelos e cegos. Aos 18 dias abrem os olhos e apenas aos 2 meses de idade se tornam independentes mas não atingem a maturidade sexual.
Tem uma expectativa de vida de cerca 5 anos.





Em Portugal, a informação quanto à população é bastante escassa, já que a presença da espécie está cada vez mais diminuta e devido às suas actividades nocturnas é difícil a realização de estudos. Apesar de se encontrar a sua presença por todo o país, os relatos da sua presença no Centro e Sul do país são bastante raros.

Existindo por todas as zonas do mediterrâneo, em Portugal necessita de ser protegido e não ser tratado como um rato comum.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Espécie Animal Invasora da Semana

Tartaruga de Orelhas-Vermelhas (Trachemys scripta elegans)

 A característica mais marcante é a presença de manchas laterais vermelhas na cabeça . Possui casco achatado, próprio para a natação e patas adaptadas para nadar, com pequenas membranas entre os dedos. 


São originárias de regiões pantanosas do sul dos Estados Unidos e são importadas directamente de lá. Devido à sua grande capacidade de reprodução e adaptação a novos ambientes, em alguns países como na Austrália, Califórnia, Canadá, França, Suécia e África do Sul, a importação também está suspensa, pois os animais acabam por fugir do cativeiro ou então são soltas por proprietários que já não as querem,  fazendo com que ocorra competição com os animais de ambientes semelhantes aos dela e causando desequilíbrios ambientais.
São animais de sangue frio, isto é , a temperatura do seu sangue varia de acordo com a temperatura do ambiente. Respiram unicamente através de pulmões, logo não podem permanecer muito tempo debaixo de água. Possuem visão e audição muito apurada, podendo aperceber-se da presença de pessoas a muitos metros de distância. Apresentam bico, como as aves.
São consideradas autênticas sobreviventes da pré-história, já que se retornamos 200 milhões de anos no tempo, pouca diferença será encontrada entre as tartarugas pré-históricas e as tartarugas actuais.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Aprender a recuperar Animais Silvestres


Gouveia e Seia
De 18 a 20 Fevereiro


"A associação Aldeia agendou para 18, 19 e 20 de Fevereiro, em Gouveia e Seia, a realização de um workshop prático sobre recuperação de animais silvestres. O evento é justificado com o crescimento do interesse por esta actividade registado nos últimos tempos em Portugal. www.aldeia.org"


in Jornal de Notícias 4/Jan/2011


domingo, 9 de janeiro de 2011

Quercus lamenta abate de árvores em antigos jardins da Prelada

O Núcleo Regional do Porto da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, vem por este meio manifestar a sua posição em relação ao processo de abate e replantação de árvores em jardins da Prelada, autorizados pela Câmara Municipal do Porto, acto foi iniciado a 04 de Janeiro de 2011, dado estar em causa o interesse público e ambiental.
Segundo uma notícia no Jornal Público Online (05/01/2011), os jardins públicos contíguos à Urbanização Nova da Prelada, na Rua Professor Carlos Lima,  foram vendidos “para permitir a construção de um estacionamento com 143 lugares que servirá um futuro supermercado Pingo Doce”. A devastação dos jardins foi iniciada no passado dia 04 de Janeiro de 2011, tendo já sido abatidas, segundo os moradores, 12 árvores, entre as quais choupos, bétulas e um plátano.
O Núcleo do Porto da Quercus lamenta profundamente a decisão da Câmara do Porto, essencialmente por 3 motivos: pelo abate das árvores, terminando assim todos os serviços vitais que elas prestavam, pela mudança de uso do solo e sua impermeabilização e pela passagem do terreno a privados. Mais uma vez se verifica que o automóvel tem prioridade sobre a qualidade de vida do cidadão.
Para além de, aparentemente, a população local não ter sido consultada, questiona-se a existência de um adequado planeamento dos espaços verdes numa cidade já tão poluída, como é o Porto.
Lamenta-se que o efeito regulador destes espaços verdes e destas árvores no ambiente urbano, a sua permeabilidade e consequente regulação das águas da chuva, a sua capacidade para absorver os impactes da circulação rodoviária (ruído e poeiras, p. ex.) e ainda o seu efeito cénico e estético, não sejam contabilizados e tenham vindo a ser sucessiva e levianamente eliminados.
O Núcleo do Porto da Quercus considera ainda que é urgente melhorar as práticas de gestão das árvores no espaço público, já que o abate de uma árvore, deve ser sempre o último recurso. E se tal for inevitável, deve ser efectuada a sua substituição no local e implementadas medidas de compensação adequadas, além de que seria essencial consultar ou pelo menos informar a população local. É este perfil de actuação que se espera de qualquer entidade com competências de conservação do património arbóreo público.

Nota: Grupo Anti-Arboricida da Quercus - Porto
Preocupado com as crescentes denúncias de abates de árvores e redução de espaços verdes na região do Porto e reconhecendo a sua importância nos meios urbanos, o Núcleo do Porto da Quercus criou um grupo de trabalho intitulado Anti-Arboricida (
www.arvoresnacidade.pt.vu) constituído por voluntários estão já a trabalhar activamente na prevenção dos abates indiscriminados, sendo este o seu primeiro comunicado.

                Porto, 7 de Dezembro de 2010

                A Direcção do Núcleo Regional do Porto da
                Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza


Ricardo Marques
Presidente do Núcleo   
--------------------------------------
Quercus - Núcleo Regional do Porto
R. João Maia, 540
4475-643 Avioso (Sta. Maria) Maia
Tel: 222 011 065 - Tlm: 931 620 212
porto@quercus.pt http://porto.quercus.pt

País - Legislação incapaz de evitar abate de espécies protegidas - RTP Noticias, Vídeo

País - Legislação incapaz de evitar abate de espécies protegidas - RTP Noticias, Vídeo

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Espécie Animal Traficada da Semana

Rã-Tomatede-Madagáscar
(Dyscophus antongilii)

  Esta é uma espécie endémica da ilha de Madagáscar, ao largo do continente africano, e é conhecida pelo seu hábito de se inflar quando se sente em perigo, de forma a aparentar ser maior do que é na realidade e assim afastar os potenciais predadores.

  Actualmente as rãs-tomate encontram-se ameçadas devido à perda de habitat, mas o tráfico de que são vítimas também contribui para diminuir o seu número em ambiente selvagem.

  Vivem nas terras baixas e húmidas da ilha (não mais que 200m de altitude) e preferem a zona rural. Comunicam por vocalizações e se incomodadas podem produzir uma substância branca que causa irritação em contacto com a pele humana.

  As fêmeas são maiores do que os machos (8-10cm e 6-7cm respectivamente), e apenas as fêmeas maiores exibem o característico vermelho vivo que dá nome à espécie. Os machos (alaranjados) competem pelo direito de fecundar os ovos (entre 1000 a 1500) que a fêmea deposita numa massa gelatinosa flutuante. Os ovos chocam após cerca de 36 horas, tendo os girinos 5mm. Quarenta e cinco dias depois já terão realizado a metamorfose. Os juvenis são amarelos e pretos e atingem a maturidade sexual por volta do primeiro ano de idade. Podem viver até aos 10 anos.

  Para se alimentarem optam pela emboscada: colocam-se numa posição estratégica e comem qualquer insecto que passe por elas.

  Apesar de, depois das chuvas, os machos se colocarem em charcos coaxando para atrair as fêmeas a acasalar, esta espécie não é uma boa nadadora, o que leva os jardins zoológicos a tomarem medidas especiais para evitar que se afoguem nos seus terrários.

  Esta espécie encontra-se mencionada na CITES, não podendo ser comercializada.