Animais Autóctones

Animais Autóctones

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Afluentes do Douro repovoados com trutas em Baião

 Técnicos da Direcção-Geral de Florestas vão realizar hoje, nos rios Ovil e Teixeira, no concelho de Baião, uma acção de repovoamento com milhares de trutas. Segundo um comunicado do município, "esta acção visa trazer mais vida a estes rios praticamente selvagens", afluentes do Douro.
A ideia partiu da Câmara Municipal de Baião e prevê a instalação em vários pontos destes cursos de água de recipientes com óvulos de truta. "Ao fim de poucos dias, os milhares de óvulos deverão eclodir, soltando naqueles cursos de água milhares de novos habitantes", assinala o comunicado da autarquia.
Nesta acção vão participar autarcas das freguesias, crianças em idade escolar, pescadores do concelho e representantes de associações ambientais. Segundo a fonte camarária, "esta medida insere-se na política geral de preservação ambiental de Baião, o concelho com maior percentagem de áreas verdes em todo o distrito do Porto".
A Câmara de Baião integra um projecto nacional da associação ambientalista Quercus para avaliação do impacte ambiental do seu território. Segundo autarquia, "a iniciativa Eco-Saldo visa calcular a pegada ecológica do território e verificar se este é um concelho "ecodevedor" ou "ecocredor", ou seja, "amigo do ambiente ou poluidor". No âmbito deste estudo, são avaliados os territórios dos concelhos de Baião, Seia, Manteigas e Vila Franca de Xira. O projecto conta com a participação de dez entidades, incluindo centros de investigação das universidades Católica, do Porto e de Lisboa. A Quercus conta ainda com a colaboração, nesta iniciativa, do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade.
Nos últimos quatro anos, o município liderado pelo socialista José Luís Carneiro acentuou o processo de reflorestação e repovoamento da fauna e flora autóctones, tendo sido plantadas 6500 árvores.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Espécie Animal Autóctone da Semana



Gato-bravo
(Felis silvestris)






Características

O gato-bravo (Felis silvestris) é um carnívoro de médio porte pertencente à Família dos Felídeos e é mais robusto e de feições mais rudes que o gato doméstico. A sua pelagem densa apresenta uma coloração variável, podendo ser cinzenta, castanho clara ou, mais raramente, melânica (negra ou quase). Tem umas riscas negras características nos flancos e extremidades e, ao contrário do gato doméstico listado ou malhado, não tem pintas no corpo. A sua cauda é grossa, peluda e relativamente curta, com 3 a 5 anéis largos e negros, sendo a extremidade arredondada e também negra. A cabeça é arredondada e volumosa, com focinho curto e mandíbulas robustas. As orelhas são curtas e arredondadas, os olhos são grandes e geralmente verdes. As patas são curtas e estão dotadas de poderosa musculatura e grande flexibilidade.
O corpo varia entre os 52 e 65 cm de comprimento nos machos e entre 48.5 e 57 cm nas fêmeas. O comprimento da cauda varia entre 25 e 34.5 cm. Os machos pesam em média 5 Kg e as fêmeas 3.5 Kg, não ultrapassando os primeiros 7.7 Kg e as segundas 4.95 Kg. Têm variações sazonais no seu peso, que podem ser de 2.5 Kg nos machos e 2.15 kg nas fêmeas.


Habitat

De um modo geral o seu habitat preferencial é o bosque caducifólio. Estudos efectuados sobre a selecção do habitat, inclusivamente em Portugal, revelaram que o gato-bravo tem preferência por bosques associados às linhas de água assim como por pinhais, que parecem ser bons locais de repouso.
Durante o dia refugia-se em buracos de árvores, fendas nas rochas e em tocas abandonadas de texugo, raposa ou coelho. Durante os meses quentes de Verão pode permanecer ao ar livre, procurando o fresco e o refúgio que a floresta lhe oferece.


Alimentação

O gato-bravo é um predador oligófago, dependendo a sua alimentação não de um espectro limitado de presas mas sim da região em que se encontra. A base da sua dieta é constituída por pequenos roedores. Consome também lagomorfos (lebre e coelho), aves e com menor frequência anfíbios e répteis. Esporadicamente pode consumir peixes e também insectos.
Confia nos seus reflexos e agilidade para surpreender as presas e prefere caçar em terrenos abertos do que em floresta densa. Um gato-bravo adulto consome em média 400 a 500 g de alimento por dia.


 

Reprodução

Entra no cio entre Janeiro e Março, dependendo da localização geográfica, e os acasalamentos ocorrem no final do Inverno e na Primavera. Pensa-se que os machos mais competitivos copulam com várias fêmeas na mesma época reprodutora. Dois terços dos nascimentos verificam-se do meio de Março até ao final de Abril, sendo a gestação de 63 a 68 dias. Tem uma ninhada por ano, da qual em média nascem entre 3 e 4 crias. O aleitamento verifica-se até ás 6-7 semanas, mas as crias podem mamar esporadicamente até ao quarto mês. Nesta altura começam aos poucos a ganhar independência e passado pouco tempo procuram um novo território.
As fêmeas são sexualmente maturas entre os 9 e 10 meses e os machos com 1 ano de idade. Em liberdade pode viver até aos 11 anos.


Movimentos

É principalmente crepuscular e nocturno, tendo os olhos perfeitamente adaptados para ver na escuridão e um sentido de audição muito desenvolvido. É solitário, sendo feroz e intransigente frente a outros congéneres quando se trata de defender o seu território e só se mostra social no período nupcial. As fêmeas são mais territoriais e combativas, especialmente durante a época de criação. Os machos são nómadas e sobrepõem os seus movimentos ás áreas vitais de várias fêmeas. Durante a época de reprodução restringem-se a uma área vital na floresta. Os territórios de gato bravo variam entre 0.6 e 3.5 Km2, mas em Portugal, os estudos efectuados apontam para territórios maiores (entre 10 e 12 Km2).


Factores de ameaça

A hibridação com o gato doméstico é considerada como um dos maiores factores de ameaça para esta espécie em grande parte dos países europeus. Outros factores de ameaça importantes são: a fragmentação das populações devido à construção de vias rodoviárias, ao desenvolvimento de culturas intensivas e à desflorestação; a destruição do habitat devido principalmente aos incêndios e ao recurso à silvicultura monoespecífica; o controlo de predadores e a escassez de informação biológica e ecológica existente sobre esta espécie no nosso país.


sábado, 25 de dezembro de 2010

Espécie Animal Traficada da Semana

Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris)

Jacaré-de-papo-amarelo.
Os indivíduos desta espécie têm uma elevada longevidade,
chegando a atingir os 50 anos de existência.

Primeiramente, alguns tópicos importantes para o conhecimento desta espécie:
Distribuição geográfica: Leste do Brasil (do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul), Uruguai, norte e nordeste da Argentina, Paraguai e leste da Bolívia
Habitat: Brejos, mangues, lagoas, riachos e rios
Hábitos alimentares: Esta espécie é carnívora.
Reprodução: Desova entre 17 e 50 ovos por postura, que eclodem após 70 a 80 dias de incubação.
Período de vida: Aproximadamente, 50 anos.
Os jacarés, juntamente com os crocodilos, surgiram na face da Terra há pelo menos 200 milhões de anos. Contemporâneos dos grandes dinossauros, também atingiram tamanhos gigantescos.
O Purussaurus brasiliensis, um jacaré que viveu há 20 milhões de anos atrás, na região onde hoje fica a Bacia Amazónica, atingia cerca de 14 metros de comprimento, rivalizando em tamanho com o famoso Tyranossaurus rex.

Os jacarés sempre se mostraram adaptados às condições do planeta, sobrevivendo, inclusive, aos factores que determinaram a extinção dos dinossauros. Apenas o homem, através da caça excessiva, poluição das águas e da desflorestação, conseguiu colocar em risco a sobrevivência desses animais.

Este é o caso do jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) que habita brejos, lagos, pântanos e rios desde o litoral do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul e bacias dos rios São Francisco, Paraná, Paraguai e Paraíba.

Apesar da ampla distribuição geográfica, o jacaré-do-papo-amarelo já esteve ameaçado de extinção em virtude da poluição de seu habitat e da caça predatória para a retirada do couro e consumo da carne.
Com a proibição da caça, a espécie recuperou e, hoje, não integra a lista de animais ameaçados de extinção.

O jacaré-do-papo amarelo, juntamente com os outros crocodilianos, destaca-se entre os répteis por apresentar cuidados com a sua prole.
O macho forma uma harém e após a cópula, que ocorre no Verão, a fêmea constrói o ninho próximo à água usando fragmentos de plantas e cobrindo-o com folhas e areia.

Em média são postos de 25 a 30 ovos, e nesta época, a fêmea torna-se mais agressiva permanecendo perto do ninho para evitar o ataque de predadores como o lagarto teiú e o quati.
O sol e a fermentação dos vegetais no ninho proporcionam o calor necessário à incubação que varia de 70 a 90 dias.
Próximo à eclosão é possível ouvir a vocalização dos filhotes, ainda dentro dos ovos, chamando a mãe. É, então, desmanchado o ninho com a ajuda dos membros anteriores e posteriores, e o focinho.

Filhote de jacaré-de-papo-amarelo.
Caso algum filhote tenha dificuldade ao nascer, é ajudado pela mãe e, posteriormente, é carregado, na boca, até a água, cuidadosamente. O macho cuida dos recém-nascidos que já estão na água e ambos os pais permanecem próximos dos filhotes, protegendo-os, ainda por um período de tempo.

Apesar de toda essa protecção, os filhotes precisam de se alimentar sozinhos e, quando pequenos, comem insectos e invertebrados. Os adultos atingem até 2,5 metros de comprimento alimentam-se de caramujos, peixes, aves e pequenos mamíferos. Como todos os crocodilianos, têm uma vida longa e, provavelmente, podem ultrapassar os 50 anos de idade.

Ao contrário dos mamíferos, quanto mais velhos, tornam-se maiores e mais fortes.

Embora os jacarés assustem as pessoas pelo seu tamanho e aspecto pré-histórico, são animais extremamente importantes para o equilíbrio ecológico, pois agem na cadeia alimentar controlando as espécies que fazem parte da sua dieta, além de controlarem a população dos caramujos transmissores de doenças, como a esquistossomose (barriga d’ água).
Além disso, as suas fezes servem de alimento a peixes e a outros seres aquáticos.





quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Espécie Animal Autóctone da Semana

Víbora-cornuda
Vipera latastei  



É um animal difícil de encontrar, a não ser por mero acaso, pelo que, quando isso acontece, o registo visual é muito próximo, o que torna a situação pouco agradável. Não pelo seu tamanho, que é de cerca de 80 cm, mas sobretudo por ser venenosa.
A sua cabeça, como acontece com as restantes víboras, tem uma forma triangular característica. A sua cor é cinzento azulado, possuindo no dorso uma mancha mais escura, em zig-zag, ao longo de todo o corpo.


Classificação

VULNERÁVEL  .  VU 
 Espécie com área de ocupação inferior a 2.000 km2. Apresenta fragmentação elevada e um declínio continuado da sua extensão de ocorrência, área de ocupação, da qualidade dos habitats, do número de localizações e do número de indivíduos maduros.


Distribuição

Em Portugal, distribui-se por todo o território, em núcleos populacionais fragmentados, desde o nível do mar até aos 1.500 m, nas Serras da Estrela e do Gerês. A grande maioria das observações desta víbora provém das zonas montanhosas a norte do rio Tejo (serras do Gerês, Alvão, Montesinho e Estrela). A sul do rio Tejo e nas áreas de maior pressão humana, ocorre em populações isoladas de pequenas dimensões (S.  Mamede,  Contenda  e  Aljezur).


População

A  víbora-cornuda  é  considerada,  desde    20  anos,  como  uma  espécie  com efectivos populacionais escassos em toda a sua área de distribuição na Península Ibérica. Vários  autores  detectaram  um  declínio nos  efectivos  populacionais  ibéricos  da espécie  em  áreas  onde  era  frequente, particularmente  nas  zonas  com  elevada  utilização  humana  do  litoral  atlântico  e mediterrânico.




Habitat

Esta espécie encontra-se em zonas rochosas de montanha, preferindo as encostas declivosas  com  matos  densos. Também ocorre em áreas florestais com cobertura arbustiva. Nas zonas mais baixas e litorais ocorre em matagais, pinhais arenosos e sistemas dunares.



Factores de Ameaça

O principal factor de ameaça é a perda, fragmentação e degradação do habitat por  acção  antropogénica  devido fundamentalmente a: 
- incêndios  florestais;
- silvicultura intensiva;
- aproveitamento dos solos para fins agrícolas;
- desenvolvimento urbano e implantação de infra-estruturas viárias.

Constituem também factores de ameaça, com efeitos consideráveis, a mortalidade por  atropelamento  nas  estradas  e a  perseguição  directa  em  virtude  de  aversão.

Um  outro  factor  de  ameaça  é  a  captura  de  exemplares  para  comércio  ilegal  e coleccionismo. De acordo com vários inquéritos a habitantes do Parque Nacional da Peneda-Gerês, esta espécie é frequentemente capturada e as suas cabeças comercializadas sob a forma de amuletos e como medicamentos. Esta crença existe pelo menos desde a Idade Média e os relatos mais antigos de comércio datam da década de 30 do século passado. Nos anos 70 e 80 vendiam-se em média cerca de 500 víboras por ano no Gerês. Actualmente, com o aumento da fiscalização, o comércio diminuiu mas não desapareceu totalmente, sendo hoje feito de forma clandestina, estimando-se que sejam  comercializadas  entre  50  a  100  víboras  por  ano,  apenas  nas  Caldas  do Gerês. O comércio de cabeças de víbora não está, no entanto, limitado à serra do Gerês,  ocorrendo  também  em  algumas  serras  do  Norte  e  Centro  de  Portugal (Marão,  Montemuro,  Estrela,  Caramulo,  Aire  e  Candeeiros). Algumas características biológicas, tais como áreas vitais de pequenas dimensões, elevada especialização ecológica na dieta e na utilização dos habitats, reduzida frequência de reprodução, taxa de crescimento reduzida e maturação sexual tardia, contribuem para a sua vulnerabilidade  a  factores  de  ameaça.


Medidas de Conservação

As  medidas  de  conservação  devem  incidir  na  manutenção  dos  seus  habitats, sendo considerado particularmente importante:
- empreender acções mais eficazes na prevenção dos incêndios florestais;
- conservar as sebes e muros de pedra que delimitam os lameiros e terrenos agrícolas e conservar as áreas florestais autóctones, incentivando o corte equilibrado de madeiras nas florestas, dado esta prática levar à criação de locais propícios para a termorregulação destes animais e constituir ainda uma medida de prevenção dos incêndios florestais. São ainda necessárias iniciativas de educação a nível escolar, bem como campanhas de sensibilização do público, no sentido de desmistificar as superstições que a  envolvem.  São  necessárias  também  acções  de  investigação dirigidas  para  a determinação mais rigorosa da área de distribuição e de efectivos populacionais, principalmente nas regiões litorais e a sul do rio Tejo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Espécie Invasora da Semana

Lúcio
(Esox lucius )


Originalmente proveniente de zonas frias da América e Europa do Norte, Lúcio é um peixe de água doce que resiste a temperaturas entre os 8ºC e 28ºC, bastante comum na pesca desportiva , este o motivo pelo qual levou à sua introdução nas zonas ocidentais da Europa, nomeadamente em Portugal. Vários pescadores competem entre si para apanhar o maior peixe possível, quer em comprimento quer em peso. É um desafio pesca-lo devido ao seu temperamento agressivo e extremamente voraz (atingindo a velocidade de 70km/h) que dificulta muito a acção dos pescadores. Algumas vezes este animal, após pescado, é solto, outras é embalsamado por coleccionadores. Por vezes, também é cozinhado, contudo não é um prato muito comum, relativamente aos outros peixes.



O comprimento máximo que atinge é 1,83m e o peso são de 35 quilogramas. A sua cor típica é o cinzento-esverdeado podendo às vezes apresentar pintas nas suas escamas. Gosta de águas calmas e possuí uma perfeita visão.
Quanto à alimentação, estes são carnívoros: alimentam-se de peixes de cardume, peixes da mesma espécie (são canibais), e em momentos de maior escassez de alimento, comem pequenos anfíbios, rãs, toupeiras, patinhos, etc...
Para este tipo de alimentação é necessário uma dentição robusta, com dentes afiados, como a que o lúcio possui:


Existem poucos ataques deste animal a humanos, sendo o maior problema para o Humano, a praga que este torna-se quando introduzido num ecossistema que não é o seu. Em Portugal, acredita-se que a sua introdução proveio de rios com nascente em Espanha, em especial o Tejo e Guadiana. Porém, a sua existência em rios do norte, como o Douro, Cávado e Ave, também é real.
Com partiular destaque, encontra-se a Barragem do Azibo (Macedo de Cavaleiros) que consta com uma substancional população de Lúcios.

Pelas suas características como predador, este mata muitos animais autóctones do ecossistema português. Aliado à sua rápida reprodução e fácil adaptação às diversas temperaturas é considerado uma praga a nível nacional, que tende a acabar com a biodiversidade dos rios portugueses.


"Levará muitos anos para que o ecossistema se adapte a este predador e aliado à falta de uma política eficaz de repovoamento e de protecção das nossas espécies certamente os nossos rios não voltaram a ser o que eram."

in  www.arnpd.com (pesca desportiva)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Respostas Correctas do Questionário

Como prometido publicamos as respostas correctas (a negrito) das perguntas que colocámos no questionário para avaliar o grau de conhecimento dos inquiridos sobre a fauna portuguesa, espécies invasoras e tráfico de animais.

2. O que é uma espécie autóctone/endémica?
  • Espécie natural do local onde vive.
  • Espécie exótica proveniente dos trópicos.

3. Quais destes animais são espécies invasoras em Portugal?
  • Perca-sol
  • Tartaruga-de-orelhas-vermelhas
  • Tentilhão-de-cabeça-preta
  • Gambuzino
  • Abelharuco
  • Guarda-rios
  • Cobra-de-escada
  • Rã-de-focinho-pontiagudo
  • Louva-a-deus
  • Pêga-rabuda
Podem já encontrar no nosso blog algumas fichas informativas sobre alguns destes seres! Os animais que já possuem ficha estão a itálico, tanto os invasores como os autóctones.

5. Imagina que estavas disposto(a) a adquirir uma arara vinda do Brasil. Que tipo de documentação/indicações precisarias de ter para efectuares a compra?
  • Contactar a ASAE com o devido comprovativo de compra, pagar a licença e receber os documentos que comprovam a legalidade da arara.
  • Declarar a compra ao ICN (Instituto de Conservação da Natureza) e pagar a licença.
  • Ir ao Brasil, comprar a arara, colocá-la num saco e rezar para que ninguém me apanhe.

8. Quais são as consequências das espécies invasoras nos ecossistemas portugueses.

Como as espécies invasoras não evoluiram nos ecossistemas portugueses, a fauna local não se encontra preparada para lidar com estes seres.
Estes seres vivos podem ocupar nichos ecológicos (posição de uma espécie no ecossistema), competindo com as espécies nativas por alimento, locais de nidificação e abrigos; podem também ser portadores de doenças para as quais as espécies autóctones não têm resistência ou venenos que diminuem a quantidade de predadores do ecossistema invadido.
As espécies evoluem em conjunto e por isso as espécies invasoras, caso consigam adaptar-se com sucesso aos habitats que invadem, são bastante difíceis de eliminar.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Espécie Animal Traficada da Semana

Papagaio verdadeiro (Amazona aestiva)

Papagaio verdadeiro, uma das espécies
mais apreciadas e mais traficadas ilegalmente.
É considerada a ave mais inteligente que existe, conseguindo, até, imitar a voz humana.
Este facto ocorre por apresentar a língua carnuda e uma estrutura designada por siringe modificada. São animais que possuem vida longa e podem chegar facilmente os 80 anos, apesar dos animais retirados da natureza viverem, no máximo, 15 anos devido a uma alimentação errada.
As aves desta espécie não possuem dimorfismo sexual, pois apenas é possível distinguir o macho da fêmea através da realização de alguns exames específicos.

Os papagaios verdadeiros medem cerca de 85 cm e pesam cerca de 400 g.

Relativamente à plumagem, esta é predominantemente verde, apresentando a fronte azul com amarelo na cabeça envolvendo os olhos.
Apresentam o encontro (parte superior da asa quando fechada) vermelho e o bico preto.

Vivem em áreas de mata seca e/ou húmida, em campos cerrados, palmares e beiras de rio.

Distribuição geográfica desta espécie:

Concentram-se, essencialmente, na região nordeste passando pelo Brasil central até ao sul do país, estendendo-se para a Argentina, Paraguai e Bolívia.

Fora do período reprodutivo são avistados em grandes bandos.

Alimentação:

Frutívoros e granívoros. Podem ingerir, também, larvas de insectos que encontram nas árvores de fruto da região que habitam. Usam as patas para segurar os alimentos. Podem ser avistados em áreas de grandes plantações (milho, girassol, sorgo) e pomares.

Reprodução:
Os indivíduos desta espécie aproveitam
os troncos ocos das árvores de
grande porte, no período reprodutivo.

Ocorre em períodos variados, dependendo da localidade.
Após 5 anos de vida os papagaios procuram formar um casal, que se torna fiel por toda a vida. Este casal procura troncos ocos de árvores (como, por exemplo, palmeiras) de grande porte, onde preparam o ninho com madeira roída pelo forte bico.
Na época reprodutiva, a fêmea põe 3 a 4 ovos que são chocados durante 28 dias por ambos os pais, que também se revezam no cuidado dos filhotes, que dura até a postura do próximo ano.

Ameaças:

É o papagaio mais procurado como animal de estimação por ser considerado um excelente "falador". Assim sendo, a captura para o comércio ilegal é a principal ameaça para a espécie. Em algumas regiões as populações estão a sofrer um declínio acentuado.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Espécie Animal Autóctone da Semana

Salamandra-lusitânica

A salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica) é um anfíbio pertencente à ordem Caudata, endémico do noroeste da Península Ibérica. A sua cauda pode atingir dois terços do comprimento do corpo. Se atacadas, estas salamandras podem soltar a cauda por autotomia, regenerando-a posteriormente.


Descrição
Possui um corpo estreito e cilíndrico, raramente ultrapassando os 16 cm de comprimento. Tem uma cauda longa, que nos adultos pode atingir dois terços do comprimento total do animal. Os olhos são protuberantes. As patas dianteiras têm quatro dedos e as traseiras cinco. A sua cor básica é o preto e têm duas listas dorsais de cor dourada ao longo do corpo, que se unem, na cauda. A superfície dorsal pode ter pequenos ponteados azulados. O ventre é cinzento. Quando se sente ameaçada tem a possibilidade de soltar a cauda, que é posteriormente regenerada. É o único salamandrídeo ibérico com essa capacidade.  

Classificação:  VULNERÁVEL
Fundamentação: Espécie com área de ocupação inferior a 1.000 km2, admitindo-se que apresente fragmentação elevada e declínio continuado da área de ocupação, da qualidade dos habitats, do número de localizações e do número de indivíduos maduros.

Distribuição
Espécie endémica da Península Ibérica, com distribuição restrita à região nor-ocidental. Em Portugal ocorre em todo o Noroeste, apresentando como limite sul o rio Tejo. A distribuição da espécie em Portugal corresponde a cerca de 50% da sua distribuição global

 População
Calcula-se que o número total de indivíduos maduros se situe acima dos 10.000, uma vez que, nos locais onde ocorre, esta espécie é em geral abundante. A espécie encontra-se severamente fragmentada em zonas densamente povoadas, que constituem uma parte substancial da sua área de distribuição, dado o elevado nível de poluição da maior parte dos cursos de água e de destruição dos seus habitats. No entanto, em zonas com pouca perturbação humana, caso por exemplo das Serras do Gerês, Montemuro, Caramulo, Arada e Lousã, ainda ocorrem núcleos populacionais com bons efectivos.

Habitat
Ocorre principalmente em zonas montanhosas, junto a ribeiros de água corrente com vegetação abundante nas margens e atmosfera saturada de humidade. Este anfíbio não possui pulmões funcionais, respirando sobretudo através da pele, o que contribui significativamente para as suas elevadas exigências ecológicas em termos de saturação de humidade do ar. De uma maneira geral, os biótopos circundantes são constituídos por bosques caducifólios ou lameiros, podendo também ocorrer noutros biótopos tais como campos agrícolas.

Alimentação

A alimentação dos adultos é constituída por insectos, aracnídeos e moluscos de pequenas dimensões. As larvas alimentam-se essencialmente de pequenos insectos aquáticos, moluscos e crustáceos.
                                                       

Predadores Naturais
Os adultos de salamandra-lusitânica podem ser predados por cobras-de-água, víboras, lontras, grandes sapos (Bufo bufo) e salamandras (Salamandra salamandra). As larvas desta espécie podem ser capturadas por cobras-de-água, escaravelhos aquáticos e larvas de libélula.


Reprodução

A época de reprodução pode variar consoante a região em que se encontra, mas em Portugal parece ocorrer no período compreendido entre Maio a Novembro.
O acasalamento ocorre após um complexo comportamento de cortejamento em terra ou em águas pouco profundas. Após o amplexo com o macho, a fêmea deposita entre 12 a 20 ovos num local húmido e protegido, geralmente em pequenas concavidades naturais nas margens dos cursos de água, debaixo de pedras ligeiramente submersas ou nas paredes de minas e galerias próximas de linhas de água. A eclosão ocorre seis a nove semanas após a postura.


Actividade
É uma espécie de hábitos nocturnos, no entanto pode apresentar actividade diurna e crepuscular em dias nublados ou chuvosos. A salamandra-lusitânica suspende a actividade durante o Verão, devido às elevadas temperaturas e baixa humidade do ar, e durante os meses de Inverno, devido às baixas temperaturas.
                                                                      
    
Factores de Ameaça
A perda, fragmentação e degradação do habitat por acção do Homem são consideradas as maiores ameaças para esta espécie, sobretudo devido:
- à poluiçãodos cursos de água por efluentes industriais, domésticos e agrícolas;
- à destruiçãodos habitats circundantes dos rios e ribeiros, em particular a vegetação ribeirinha;
- à agricultura intensiva;
- à substituição das florestas caducifólias por florestas espécies não indígenas
- à urbanização desordenada.
Para além destes factores, a salamandra-lusitânica apresenta uma capacidade de dispersão limitada, o que a torna particularmente sensível a quaisquer alterações dos seus habitats.

Vendas para angariar fundos



  Aqui temos as fotografias das últimas encomendas, temos recebido muitos pedidos de marcadores feitos à semelhança dos animais de estimação!

  Sim, porque é melhor investir num marcador que apoia a nossa fauna, do que num animal exótico ou pior ainda, do que num animal traficado.

  Um obrigado a todos os clientes e futuros clientes! Obrigado por ajudarem o nosso projecto e a fauna portuguesa!
Papagaios

Corujas

 Ouriço-cacheiro, gatos e ovelhas
Cão e dois gatos

sábado, 11 de dezembro de 2010

Espécie Animal Invasora da Semana

O tecelão-de-cabeça-preta (Ploceus melanocephalus) é uma ave que foi introduzida em Portugal graças aos exemplares comercializados para aves de gaiola. É originária do continente africano e bastante conhecida pela complexidade dos seus ninhos. Em Portugal instalou-se nas zonas húmidas do Sul do país, com destaque para o Algarve, Ribatejo e Estremadura.
O macho é amarelo vivo com a cabeça negra (para a parada nupcial) e a fêmea é parda com um ligeiro tom esverdeado, ambos são do tamanho de pardais (15 cm). É mais fácil de observar entre Abril e Outubro, porque as cores dos machos são mais vistosas para a época de acasalamento. Os ninhos esféricos são construídos pelo macho, que tenta assim atrair o maior número possível de fêmeas. São estas que tratam as crias sozinhas, pondo cerca de dois a três ovos azuis.
É considerada uma espécie invasora porque compete com as aves autóctones por locais de nidificação e por alimentos.

Espécie Animal Traficada da Semana

Arara-Azul (Anodorhynchus hyacinthinus)


Arara-Azul, uma espécie bastante traficada na América do Sul.


Aqui ficam alguns tópicos importantes para um melhor conhecimento desta espécie que integra a lista dos animais mais traficados.

A arara-azul é também conhecida por arara-azul-grande, arara-preta, araraúna e arara hiacinta.
O nome científico é Anodorhynchus hyacinthinus. A etimologia da palavra “anodorhynchus” prende-se com o facto dos indivíduos desta espécie possuírem bico sem dentes e a maxila sem entalhe. Já “hyacinthinus” deve-se à cor deste animal, predominantemente azul.         

Um pouco de Taxonomia…

A arara-azul pertence ao Reino Animalia, ao Filo Chordata, à Classe das Aves, Ordem Psittaciformes, à família Psittacidae e ao género Anodorhynchus.

Status:
Esta é uma espécie ameaçada de extinção, no Brasil (MMA, 2003), listada no Apêndice 1 do CITES (Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção) e vulnerável de acordo com a IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza).


Comportamento:
Na natureza, as araras-azuis podem ser observadas a voar ou a andar pelo chão. Podem também encontrar-se penduradas nos cachos de frutos das palmeiras, pousadas em galhos secos das árvores ou ainda nos mourões de cercas.

São encontradas em bandos de 10 a 30 aves, especialmente nas áreas de alimentação e nos locais para descansar e dormir, como também em pares reprodutivos.
As araras-azuis fazem, frequentemente, o ninho
em troncos ocos de palmeiras.
Quando esses bandos são observados, podemos verificar a alta socialização (interacção) entre os indivíduos. É muito comum ver as araras a vocalizar (parece que conversam umas com as outras), a executar preening (um indivíduo coça ou faz limpeza às penas de outro), a brincar umas com as outras e com os galhos, flores ou com folhas das árvores que estão pousadas. Já na época reprodutiva é possível observar os casais a alimentarem-se e a voarem juntos, geralmente são fiéis ao parceiro e dividem a tarefa de cuidar dos ovos e filhotes. 


Sítios de Nidificação:

Não parecem seleccionar ninhos com características padronizadas, como forma e tamanho das cavidades, orientação das aberturas, etc… mas mostram preferência por árvores que se destacam da vegetação, localizadas nas bordas de cordilheiras e com cavidades mais acessíveis.

As araras azuis são sociáveis pois vivem em família, bandos ou grupos. É difícil encontrá-las sozinhas e em vida livre. São aves conspícuas e que apresentam uma certa fidelidade aos locais de alimentação e de reprodução. Jovens e casais não reprodutivos reúnem-se em espécies de “dormitórios”, que, além de protecção, parecem funcionar como verdadeiros "centros de troca de informações". As araras azuis estão entre as mais inteligentes do grupo das aves.
Relativamente ao comprimento podem medir até 1 m (da ponta do bico à ponta da cauda), sendo as maiores aves no mundo da família Psittacidae. Quanto ao peso, um indivíduo adulto pode chegar até 1,3 kg, porém filhotes podem atingir até 1,7 kg no período de pico de peso.

No que diz respeito à coloração, possuem plumagem na cor azul cobalto, degradê da cabeça para a cauda, sendo preta a parte inferior da penas das asas e cauda. Possuem uma tonalidade amarela intensa ao redor dos olhos (anel perioftálmico), pálpebras e na pele nua em torno da base da mandíbula. O bico é grande, maciço, curvo e preto, formando quase um círculo com a cabeça. A língua espessa e preta chama atenção pela faixa amarela nas laterais.
Distribuição Geográfica:

Antigamente comum em grande parte do Brasil, hoje é encontrada no Pantanal, abrangendo pantanal Boliviano, Paraguaio e Brasileiro, nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, bem como no norte do Brasil, nos estados do Amazonas e Pará e na região de “Gerais” que incluem territórios do Maranhão, Bahia, Piauí, Tocantins e Goiás.

Habitat:

Na região do Pantanal, são encontradas em áreas abertas, nas matas que possuem palmeiras, enquanto os seus ninhos estão localizados na borda ou interior de cordilheiras, bem como em áreas de pasto. Na região do Pará, utiliza as florestas húmidas, preferindo locais de várzeas ricas em palmeiras. Nas regiões secas, é comum encontrá-las em áreas sazonalmente áridas, preferindo os vales dos paredões rochosos, nesta região faz ninhos em troncos ocos de palmeiras.

Alimentação: 

Araras-azuis são um dos psitacídeos mais especializados na alimentação constituída basicamente de sementes de palmeiras, que conseguem quebrar facilmente com a potência do seu bico. Na região pantaneira, alimentam-se de acuri (Scheelea phalerata) e bocaiúva (Acrocomia aculeata). Na região paraense, de inajá (Maximiliana regia), babaçu (Orbiguya martiana) e tucumã (Astrocaryum sp). Nas regiões secas, preferem licuri ou catolé (Syagrus coronata), piaçava (Attalea funifera), buriti (Mauritia vinifera) e Orbiguya eicherii.
No período de frutificação das bocaiúvas, as araras-azuis são vistas a alimentarem-se directamente dos cachos.